PRA NÃO DESANIMAR

26/04/2010

Aos Colegas Analistas Ambientais do MMA/IBAMA/ICMBio/SFB,           

            Hoje é segunda-feira, dia 26 de abril, próximo do nosso vigésimo dia de greve, fui pensar sobre a semana que passou. Ela foi chave para que vejamos o perfil da nossa greve, pois o quadro de forças e resistências começa a se apresentar, houve repercussão da intransigência do planejamento e corte de pontos, além de um posicionamento pra lá de duvidoso do gabinete ministerial do MMA e de sua Secretaria Executiva. Não entrarei no detalhe dessas questões porque não quero forçar mais uma versão dos fatos; deixemos isso tudo para os pronunciamentos oficiais dos canais estabelecidos pelo Comando de Greve.

            Sei que muita gente sentiu o baque do descrito acima, mas quero contribuir com o que penso ser uma consciência de greve. E o que viria a ser isso? Chamo de consciência de greve toda a justificativa legítima, individual ou de uma categoria, íntima ou pública, que sirva de sustentação ao esforço da greve. Não confundir com as causas da greve, que são os objetivos trabalhistas da luta, que são públicos e objetos claros da negociação. A consciência de greve é uma coletânea de motivos, pessoas ou coletivos, que se juntam às causas da greve para normalmente reforçar e perseverar na luta, mesmo com adversidades promovidas pelo outro lado (aqui é o Planejamento mesmo!). Eis alguns exemplos:

- à intransigência das negociações e ao desrespeito pelos mecanismos de diálogo construídos em centenas de anos de organizações trabalhistas e com muito sangue e suor, minha luta se intensifica;

- conheço colegas em situação financeira pior do que a minha e que não poderiam ter o ponto cortado e que se mantêm firmes na greve. É por eles que também mantenho a minha luta;

- vi colegas que, como resposta aos maus tratos nas negociações, entregaram seus cargos de chefia, mesmo com prejuízos financeiros óbvios, a eles meu obrigado, meu apoio e minha luta; e

- vejo colegas que mantém seu trabalho por medo de chefias irresponsáveis, arrogantes e agressivas. Por eles, minha luta continua.

            Enfim, meu repertório é muito mais extenso do que o apresentado e sei que o da maioria também o é. Da suposta fragilidade que se pensou infligida em nós só percebo nascer uma força que me era insuspeita até então: a da união. Se tiver uma coisa que “agradeço” ao MPOG foi ter me mostrado o quanto somos unidos num país extenso, múltiplo e desafiador como o Brasil e isso fortaleceu ainda mais a minha consciência de greve. Continuarei na greve, sim, pela carreira de especialista em meio ambiente e pelo que acredito. 

Abraços e boa semana de greve a todos (as).

Felipe Diniz

PS. Pra terminar, uma comparação entre duas citações que, pra mim, ilustram bem o momento que vivemos.

 “Nós não vemos necessidade de greve para o diálogo” – Marcela Tapajós*

 Eis uma de nossas possíveis respostas à “dileta” senhora das negociações do MPOG, parafraseando um tal de Martin Luther King**, em 1967:

“A greve é a linguagem dos que não são ouvidos”

 ___________

* Marcela Tapajós e Silva - É uma senhora do SRH do Ministério do Planejamento e que está nas nossas negociações.

** Martin Luther King, Jr. (Atlanta, 15 de janeiro de 1929 — Memphis, 4 de abril de 1968) foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Membro da Igreja Batista, tornou-se um dos mais importantes líderes do activismo pelos direitos civis nos Estados Unidos e no mundo, através de uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo. Se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prémio Nobel da Paz em 1964. O seu discurso mais famoso e lembrado é “I Have a Dream” – “Eu Tenho Um Sonho”. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King_Jr.

Vale a pena informar a frase original:

 “A riot is at bottom the language of the unheard” – “Uma revolta é, no fundo, a linguagem dos que não são ouvidos”


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