Por que a Intransigência do Planejamento Custará Caro ao País?

            Os analistas ambientais do MMA, IBAMA, Instituto Chico Mendes e Serviço Florestal Brasileiro se encontram a duas semanas em greve e a intransigência com que o Ministério do Planejamento vem tratando o assunto é assustador. Primeiro, porque não entende de meio ambiente, subestimando esta questão internamente e apresentando ao mundo uma forma de pensar e agir diferente. A população brasileira aprendeu e continua aprendendo na base de lições dolorosas sobre o valor do tema e dos profissionais ligados à ele. Em ambos os aspectos, quer seja interno ou externo, o país corre o risco de pagar caro, porque o governo não só subestima as outras nações, como o faz a seu próprio povo.

            Esta falta de sensibilidade com a questão ambiental leva ao segundo ponto aqui: que é a desvalorização motivada da mão de obra que o governo tem na área.

            Esses analistas lutam a sete anos, não pelo aumento do salário, que se encontra bem defasado frente a carreiras semelhantes; mas pela reestruturação da carreira que, na visão deles, fortalecerá a Política Nacional do Meio Ambiente e toda a ferramenta e instrumentário administrativo e institucional ligados a ela. E isto mostra um amadurecimento que mete medo em muita gente. Não critico o Planejamento aqui pelo desleixo com a greve, mas é aqui o cerne de sua intransigência: o planejamento não quer, não deseja este fortalecimento, porque esta visão estratégica o governo tem, inclusive o suficiente para brigar por ela.

            Em duas semanas, o Ministério do Planejamento mostrou um senhor desserviço ao país referente à greve. Não ouviu; resolveu nivelar esta carreira por baixo – com a carreira do serviço social (ganho menor, motivo da deflagração imediata da greve); cortou dias parados antes da justiça se pronunciar quanto à legalidade da greve, o que por si é ilegal; pediu contra-propostas e não quis receber e por aí vai…

            A greve apenas começou, ela podia ter duas semana, mas pode ter mais tempo se não for considerada ilegal ou abusiva. Do que o governo tem tanto medo para usar táticas que não lhe são tão usuais? Ou melhor, por que está cometendo erros tão infantis como cortar o ponto sem decisão tramitado em julgado? O que pode não só insuflar mais grevistas como lhe causar desgastes desnecessários.

            A opinião pública está tímida porque os meios de comunicação ainda nem começaram a falar da greve. Parece-me que o governo está usando o que tem e o que não tem para combater essa greve, num esforço desesperado para conter o que acaba sendo inevitável: a tratativa do meio ambiente por meio de um órgão forte e uma carreira robusta, capazes de elevar o nível das políticas públicas, num cenário igualzinho ao das principais democracias do mundo.

            Aqui digo tranquilamente, sem esperar nenhum Efeito Nostradamus para comprovar, que o país pagará caro porque o Ministério do Planejamento está fazendo o Brasil correr o risco de perder a vanguarda dessa revolução política mundial. O que é uma pena.

Felipe Diniz

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