Nova Arma de Greve é Usada no Distrito Federal

            No décimo terceiro dia de greve dos analistas ambientais do Ministério do Meio Ambiente, do IBAMA, do Instituto Chico Mendes e do Serviço Florestal Brasileiro, uma nova arma de pressão paredista foi usada. Eu, para que ninguém ouse duvidar, fui testemunha do evento.

            Não que grevistas, principalmente os da área ambiental, não sejam pessoas curiosas e inventivas para com os objetivos do seu movimento paredista. Fazem rap, meditação, são sarcásticos, bem humorados e acostumados, como parte da própria função, a terem um “couro crocodiliano”, pois são capazes de apanhar diariamente na luta pelo meio ambiente, numa época dessas, de um Brasil voraz por desenvolvimento a qualquer custo.

            Mas a arma que quero descrever é obra nazista, porque usa da biologia e da física, além de elementos sociais e culturais, é coisa de laboratório de guerra. Explico: há dois paredões, digo, Ministérios, o do MMA e o do Planejamento, uns oitenta metros um do outro. Quem já gritou num corredor, sabe mais ou menos do que falo. Logo, sabemos como atrapalhar o serviço com a física do som: uma boa fonte sonora e uma música. Mas qual?

            Eis o detalhe sórdido da arma, que projeta o grau de fatalidade do projétil, a megatonelagem da ogiva, o tipo de maldade no coração das pessoas: colocaram a música Índia, interpretada e adaptada pelo Tiririca.

            Na primeira vez, houve paralisia e amortecimento das extremidades das pessoas afetadas (inclusive as nossas). Na segunda vez, as pessoas do Ministério da Cultura, que repartem o prédio com a gente, pararam de trabalhar em protesto (eram mais sensíveis ao ataque, of course). Na terceira vez, todos já pediam, rogavam, suplicavam pela volta dos rojões, apitos e buzinas. Na quarta vez, não vimos nada (aí é que eu acho que o Ministério do Planejamento surtou e considerou, sem ouvir a Justiça brasileira, que a greve era ilegal e cortou nossos dias parados); mas aí resolvemos parar, porque na quinta vez, ficamos realmente com medo das pessoas se atirarem pelas janelas.

            Enfim, aos mais corajosos, disponibilizo a arma aqui. Mas se você se achou corajoso por ter conseguido ouvi-la aí no seu computadorzinho. Vá trabalhar, ponha esta arme de guerre no máximo quatro vezes seguidas e tente raciocinar. É… Guerra é guerra, vale tudo.

Felipe Diniz

PS: Sugiro tocarmos Índia by Tiririca no CCBB quando o Lula estiver lá, antes que a segurança chegue perto da gente, nem que seja por 10 segundos. Daí, ameaçamos mandar um daqueles arquivos bem chatos do power-point autoexecutáveis com a música para todos eles como estratégia de guerrilha eletrônica moderna. O que acham?

Grevista do MMA usando arma poderosa

Grevista do MMA usando arma poderosa. Comissão de Direitos Humanos está atenta.

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